UMR 5291

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Laboratoire GREMMO

Groupe de recherches et d'études sur la Méditerranée et le Moyen-Orient

Un laboratoire de la MSH MOM 

Image oiseau MOM

Programme du laboratoire PT

Programa do centro de investigação

Quadriénio  2011 – 2014

Do Magreb ao Médio Oriente: cidades e sociedades em mudança

O programa de investigação do GREMMO para o quadriénio 2011 – 2014 é a participação proposta pela Maison de l'Orient et de la Méditerranée para oprojeto do Institut des Mondes Urbains.

O mundo árabe e muçulmano conheceu uma mudança urbana sem precedentes pois a população urbana passou de 25% em 1950 para mais de 75% atualmente. Esta urbanização conduziu a uma completa desestabilização da sociedade e dos poderes políticos, a que também não é alheia a “Primavera árabe” de 2011 e a “revolução verde” iraniana de 2009, pois o autoritarismo político que carateriza a maioria dos regimes árabes deixou de ser aceite pelas novas gerações de população urbana (e rural). A cidade não é um objeto novo de estudo nesta área cultural pois a literatura científica sobre a cidade árabe-muçulmana é abundante, tendo o nosso centro de investigação já contribuído para o conhecimento deste tema através de inúmeras publicações. O estudo do património, a sua valorização e integração no novo tecido urbano constitui sempre um dos temas de investigação do GREMMO no seio da MOM e do IMU. Mas o nosso objetivo atual e futuro é sobretudo estudar a urbalização em relação aos movimentos sociais e o período atual de globalização. É através da urbanização que podemos compreender, de forma concreta, as atuais mudanças sociais, políticas e culturais.

O mundo árabe e muçulmano atravessa um processo histórico comparável ao que aconteceu na América Latina com o fim das ditaduas e na Europa de Leste, depois da queda dos regimes comunistas. Atualmente, confrontamo-nos com revoltas mas que são ricas em potencial. É bastante provável que os regimes mudem e que, finalmente, seja desbloqueado o potencial de desenvolvimento limitado pelo autoritarismo e pela excessiva dependência das receitas do petróleo, direta ou indiretamente em função dos países. É colocada a hipótese de que estamos a entrar na “década perdida” em termos de crescimento económico, uma vez que as mudanças políticas causam uma instabilidade que atrasa  os negócios e que assustou os investidores. No entanto, se as instituições democráticas funcionarem, como se prevê por diversos indícios, espera-se que esta região conheça um desenvolvimento comparável ao da América Latina e da Europa de Leste. Os progressos em termos de desenvolvimento humano das últimas décadas constituem uma base sólida para este resultado positivo, o que não é o caso da África subsaariana.

Para compreender esta evolução, é necessário mergulhar na nossa história cultural pois os comportamentos sociais e políticos atuais estão no cruzamento de fenómenos universais, veiculados pela modernidade ocidental, pela globalização e pelo fundo cultural árabe e muçulmano. A reflexão sobre o trabalho de equipa que realizámos em 2009 levou-nos a interessar pelo processo de transição em curso nas cidades do mundo árabe e muçulmano, relacionado com os efeitos da era da globalização contempôranea, mas com referência às mudanças que já ocorreram desde a conquista muçulmana. As mudanças foram progressivas e não radicais como se pensava anteriormente: a cidade islâmica não se impôs à cidade bizantina, mas recuperou os materiais e o espaço existente. Na época abássida, o desenvolvimento da civilização urbana no espaço aberto do império muçulmano é uma reminiscência dos processos urbanos atuais associados à globalização. O conhecimento da profundidade cultural traz-nos um valor acrescentado para interpretar as evoluções do espaço urbano no mundo contemporâneo árabe e muçulmano.

A “revolução verde” iraniana e a “Primavera árabe” deram um novo impulso ao nosso programa de investigação. Existe uma relação evidente entre a urbanização, as mudanças sociais e a rejeição do autoritarismo. Este longo processo exprime-se hoje pelas revoltas e revoluções que devemos estudar.

(24 de fevereiro de 2014)

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